O mais recente catálgo da gravadora Nuclear Blast trás uma matéria com a banda DORO e um pequeno anuncio sobre seu próximo álbum e sobre os vinis recentemente lançados.
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26 de setembro de 2012
14 de setembro de 2012
Doro: Novo álbum, Revelações Pessoais e Show comemorativo em 2013
Doro Pesch é conhecida mundialmente como a Rainha do metal e está há quase 30 anos nos palcos. Tem dez milhões de álbuns vendidos, 2.700 apresentações em 60 países.
Ela é uma das gigantes da cena musical e já trabalhou com músicos do Motörhead e do Kiss. Sair de férias, nem pensar! Nas palavras desta mulher de 48 anos: "A última viagem que fiz foi com os meus pais - quando eu tinha nove ou oito anos", diz ela.
Em seu novo álbum intitulado "Raise Your Fist", a rainha do metal viajou para Dinamarca e Los Angeles. No estúdio com colegas como Silvermoon e Toten Hosen, o álbum recebe os retoques finais - a masterização. O álbum tem 15 faixas desde uma voz mais rock como em "Raise Your Fist" e também tons mais suaves como nas baladas "Angels" que é praticamente um hit de rádio, e a que deixará os fãs com lágrimas nos olhos chamada "It Still Hurts", cantada junto com Lemmy do Motörhead. A voz rouca dele se encaixa perfeitamente com a música", diz Doro.
Histórias pessoais nas músicas
Atrás do dueto com Lemmy, como acontece com muitas de suas canções, há uma história muito pessoal sobre uma mágoa antiga e desenvolvida após uma longa conversa telefonica com um ex-amante: "Um dia um ex-namorado me ligou e perguntou se eu queria ser madrinha de seu filho recém nascido. Quando desliguei, eu pensei comigo mesma em silêncio: "Uau isso ainda dói".
O álbum será lançado em 19 de outubro. Um primeiro single, incluindo a versão francesa de "Raise Your Fist" já está no mercado.
Estou casada com a música
A loira platinada cheia de energia diz: "Eu sou casada com a música". Em 2013, Doro planeja comemorar no palco do Wacken e em sua cidade natal Düsseldorf, a celebração de seu 30º aniversário de carreira. "Nos dias 6 e 7 de dezembro haverão shows em Dusseldorf - incluindo um show clássico junto com jovens músicos da orquestra sinfônica", diz Doro.
Suas origens musicais
Ela lembra-se bem: "Nós tínhamos uma sala de ensaio na estrada Ronsdorfer e ensaiávamos todos os dias e às vezes ficávamos lá mesmo. Mas, eu também trabalhei antes." O trabalho como tipógrafa está há muito tempo pendurado na parede, já com a música ela não pretende parar nunca: "Eu nunca faço a turnê do adeus - vou excursionar até não dar mais".
Fontes: welt.de/express.de
A loira platinada cheia de energia diz: "Eu sou casada com a música". Em 2013, Doro planeja comemorar no palco do Wacken e em sua cidade natal Düsseldorf, a celebração de seu 30º aniversário de carreira. "Nos dias 6 e 7 de dezembro haverão shows em Dusseldorf - incluindo um show clássico junto com jovens músicos da orquestra sinfônica", diz Doro.
Suas origens musicais
Ela lembra-se bem: "Nós tínhamos uma sala de ensaio na estrada Ronsdorfer e ensaiávamos todos os dias e às vezes ficávamos lá mesmo. Mas, eu também trabalhei antes." O trabalho como tipógrafa está há muito tempo pendurado na parede, já com a música ela não pretende parar nunca: "Eu nunca faço a turnê do adeus - vou excursionar até não dar mais".
Fontes: welt.de/express.de
13 de setembro de 2012
"Na Cama com Doro"...
"Na cama com DORO" é o título de uma entrevista feita pelo site RockInvasion onde a Metal Queen deu uma entrevista em seu quarto no hotel Marriott.
A entrevista pode ser assistida no seguinte link: http://www.rockinvasion.de/video/im-bett-mit-doro
28 de junho de 2012
Doro - Entrevista em Alemão
A entrevista a seguir, em alemão, é de 27 de março. Mas vale pra nós, fãs, o registro aqui no blog!
6 de maio de 2012
Doro - Live Stream da Nuclear Blast
O vídeo abaixo foi um Live Stream da gravadora Nuclear Blast em 13 de março de 2012 onde Doro responde a perguntas enviadas pelos fãs.
3 de março de 2012
Doro: "Eu não acho que foi mais difícil para mim só porque eu sou uma mulher"
Doro Pesch conquistou a cena metal do pesado: como uma mulher!
Você sabe o sentimento de ter que competir em um mundo de homens? Pergunta a reporter à Doro. "Como homem eu não teria feito nada muito diferente." Esta foi a resposta de uma mulher que está no cenário musical há 30 anos e pavimentou o caminho para muitos que vieram depois dela.
"Eu não acho que foi mais difícil para mim só porque eu sou uma mulher", diz Doro. "É díficil para todos os músicos no início de suas carreiras. A minha feminilidade tenho tido o tempo não tão verdadeiro." E acrescenta: "É verdade As mulheres têm sempre senti que eles têm para competir." Doro é uma ídola para muitos de seus fãs. Para ela, seus modelos não são apenas músicos. "Hillary Clinton é uma mulher forte para mim", diz ela. E a pugilista Regina Halmich, uma amiga próxima, que admiro muito. "Ela tem disciplina". A música Janis Joplin era uma ídola "Minha mãe gostava, aprendi muito com ela".
"Eu realmente gosto de mulheres que dedicam suas vidas a uma boa causa."
7 de dezembro de 2011
Vídeo: Doro fala sobre o lançamento do seu dvd nos EUA
Vídeo de divulgação nos EUA do dvd de 25 anos de carreira de Doro.
5 de dezembro de 2011
Doro fala sobre sua participação no álbum da banda Sister Sin
Doro participa do último cd da banda Sister Sin cantando "Rock N' Roll", cover do Motörhead. Abaixo, Doro fala sobre esta experiência.
23 de agosto de 2011
21 de julho de 2011
Entrevista com a Doro no site Whiplash
Doro cedeu uma entrevista exclusiva logo após seu show em São Paulo ao site Whiplash. Segue abaixo a entrevista feita por Fernanda Lira:
Apos vários anos sem aparecer pelo Brasil, um dos grandes icones da voz feminina no metal deu novamente as caras no pais. Logo após seu show, concedeu uma entrevista exclusiva ao Whiplash, onde esbanjou simpatia e solicitude, alem de incrivel humildade - chegou a interromper a entrevista para autografar itens de colecionador de alguns fãs. Durante nosso papo, essa musa do metal comentou o início de sua carreira, sua inspiração para compor dentre outros assuntos. Confira abaixo a curta, porem descontraída entrevista com essa mulher que demonstrou que nao precisa se vangloriar de ser uma das primeiras mulheres no gênero, mas sim, muita paixão pelo que faz.
Você teve duas outras bandas antes do Warlock, numa época onde não havia muitas mulheres na cena, especialmente no Heavy Metal, que estava nascendo. Como você decidiu integrar uma banda do estilo naquele tempo?
Doro Pesch: Pra falar a verdade, desde que eu tinha três anos de idade, eu já sabia que eu seria uma cantora. Eu entrei em contato com a música muito cedo na minha vida, quando eu ainda era muito, muito jovem. É claro que cresci ouvindo a outros tipos de música, pois quando eu era pequena nem existia o heavy metal ainda, mas havia algumas bandas de rock bem loucas, como Jimi Hendrix, etc. Então, quando eu tinha cerca de quinze anos eu fiquei muito doente, e por muito tempo - cheguei a ficar no hospital por um ano sem saber se eu iria sobreviver ou não, porque eu estava muito mal. Foi então que fiz uma promessa a mim mesma de que se eu conseguisse passar por aquela fase com vida eu faria algo para valorizá-la, algo que eu amasse.
Após algum tempo eu finalmente saí da clínica e duas semanas depois já estava em uma banda de metal. Foi natural para mim decidir fazer música pesada, intensa e agressiva, porque todo aquele tempo de sofrimento foi muito duro para mim. Quando você está tão próximo da morte, a história é outra. Os meus amigos, que eu achava que eram meus maiores companheiros, sequer apareceram por lá, então aquela fase se tornou um pesadelo pra mim. Por isso decidi que quando eu tivesse minha primeira banda, eu cantaria com o meu coração: colocaria pra fora tudo o que estava dentro dele, da forma mais agressiva, rápida e forte que eu pudesse.
A minha primeira banda, Snakebite, era legal, mas acabou não dando muito certo, então formei uma outra, chamada “Beast”, depois outra chamada “Attack”. Nós todos costumávamos ensaiar em um mesmo lugar... Era um complexo, parecido com uma fábrica enorme e as bandas se reuniam lá. É claro que hoje na minha cidade devem ter mais de 40 bandas de metal, mas naquela época eram poucas e acabávamos conhecendo gente nova com os mesmos interesses. Foi então que eu conheci o Rudy (Graf, guitarrista do Warlock) e começamos a conversar e ele acabou me perguntando se eu estava com alguma banda, e nessa época eu estava num outro projeto, chamado Stormwind. Quando comentei isso com Rudy, a cara dele ficou toda triste de repente e eu perguntei o que havia acontecido. Ele então me disse que estava pronto pra me chamar pra participar de algo junto a ele, pois ele gostava de mim como vocalista. Como eu também me sentia bem com ele, acabei decidindo por sair do Stormwind e começar uma nova banda, que seria o Warlock.
Nós tivemos várias mudanças de formação no começo, não tínhamos uma gravadora e nem um contrato, mas pelo menos tínhamos um logo muito legal para a banda (risos) Tudo bem ficar sem uma gravadora, mas o logo tinha que ser legal (risos). Bom, e então começamos a trabalhar nas músicas do nosso primeiro álbum, tratamos de conseguir integrantes que pudessem nos acompanhar nas gravações e em possíveis shows...
E foi assim que tudo começou! Isso foi bem no começo dos anos oitenta e bem no início do heavy metal. Não havia revistas, então você só ouvia falar das bandas. É claro que sabíamos do Judas Priest, do Iron Maiden, do Motorhead, mas para conhecer outras bandas era mais difícil. Era tudo muito novo. Eu lembro que às vezes apareciam uns garotos no nosso ensaio e eles ficavam olhando e perguntavam: “vocês são uma banda de metal?” e quando respondíamos que sim, eles ficavam impressionados (risos). E desde o começo o metal pra mim foi uma forma de liberdade para eu cantar sobre qualquer coisa que quisesse.
Antes dos anos oitenta, já existiam bandas com mulheres no rock n roll, como as garotas do Girlschool, mas você foi uma das precursoras no estilo metal. Como foi o impacto disso no público que te via ao vivo com a banda pela primeira vez e quão diferente esse público era em relação ao de hoje em dia?
Você teve duas outras bandas antes do Warlock, numa época onde não havia muitas mulheres na cena, especialmente no Heavy Metal, que estava nascendo. Como você decidiu integrar uma banda do estilo naquele tempo?
Doro Pesch: Pra falar a verdade, desde que eu tinha três anos de idade, eu já sabia que eu seria uma cantora. Eu entrei em contato com a música muito cedo na minha vida, quando eu ainda era muito, muito jovem. É claro que cresci ouvindo a outros tipos de música, pois quando eu era pequena nem existia o heavy metal ainda, mas havia algumas bandas de rock bem loucas, como Jimi Hendrix, etc. Então, quando eu tinha cerca de quinze anos eu fiquei muito doente, e por muito tempo - cheguei a ficar no hospital por um ano sem saber se eu iria sobreviver ou não, porque eu estava muito mal. Foi então que fiz uma promessa a mim mesma de que se eu conseguisse passar por aquela fase com vida eu faria algo para valorizá-la, algo que eu amasse.
Após algum tempo eu finalmente saí da clínica e duas semanas depois já estava em uma banda de metal. Foi natural para mim decidir fazer música pesada, intensa e agressiva, porque todo aquele tempo de sofrimento foi muito duro para mim. Quando você está tão próximo da morte, a história é outra. Os meus amigos, que eu achava que eram meus maiores companheiros, sequer apareceram por lá, então aquela fase se tornou um pesadelo pra mim. Por isso decidi que quando eu tivesse minha primeira banda, eu cantaria com o meu coração: colocaria pra fora tudo o que estava dentro dele, da forma mais agressiva, rápida e forte que eu pudesse.
A minha primeira banda, Snakebite, era legal, mas acabou não dando muito certo, então formei uma outra, chamada “Beast”, depois outra chamada “Attack”. Nós todos costumávamos ensaiar em um mesmo lugar... Era um complexo, parecido com uma fábrica enorme e as bandas se reuniam lá. É claro que hoje na minha cidade devem ter mais de 40 bandas de metal, mas naquela época eram poucas e acabávamos conhecendo gente nova com os mesmos interesses. Foi então que eu conheci o Rudy (Graf, guitarrista do Warlock) e começamos a conversar e ele acabou me perguntando se eu estava com alguma banda, e nessa época eu estava num outro projeto, chamado Stormwind. Quando comentei isso com Rudy, a cara dele ficou toda triste de repente e eu perguntei o que havia acontecido. Ele então me disse que estava pronto pra me chamar pra participar de algo junto a ele, pois ele gostava de mim como vocalista. Como eu também me sentia bem com ele, acabei decidindo por sair do Stormwind e começar uma nova banda, que seria o Warlock.
Nós tivemos várias mudanças de formação no começo, não tínhamos uma gravadora e nem um contrato, mas pelo menos tínhamos um logo muito legal para a banda (risos) Tudo bem ficar sem uma gravadora, mas o logo tinha que ser legal (risos). Bom, e então começamos a trabalhar nas músicas do nosso primeiro álbum, tratamos de conseguir integrantes que pudessem nos acompanhar nas gravações e em possíveis shows...
E foi assim que tudo começou! Isso foi bem no começo dos anos oitenta e bem no início do heavy metal. Não havia revistas, então você só ouvia falar das bandas. É claro que sabíamos do Judas Priest, do Iron Maiden, do Motorhead, mas para conhecer outras bandas era mais difícil. Era tudo muito novo. Eu lembro que às vezes apareciam uns garotos no nosso ensaio e eles ficavam olhando e perguntavam: “vocês são uma banda de metal?” e quando respondíamos que sim, eles ficavam impressionados (risos). E desde o começo o metal pra mim foi uma forma de liberdade para eu cantar sobre qualquer coisa que quisesse.
Antes dos anos oitenta, já existiam bandas com mulheres no rock n roll, como as garotas do Girlschool, mas você foi uma das precursoras no estilo metal. Como foi o impacto disso no público que te via ao vivo com a banda pela primeira vez e quão diferente esse público era em relação ao de hoje em dia?
Doro Pesch: Eu realmente acredito que a música ultrapassa todas as barreiras: não importa de onde você venha, ou se é homem ou mulher, contanto que seu coração bata pelo metal. Eu devo dizer que eu nunca me preocupei em ser uma menina no meio dos headbangers, mas sim em ser só mais uma headbanger. Nunca usei o fato de eu ser uma garota como marketing, porque para mim tudo sempre foi de coração. E também nunca tive uma preocupação em ser aceita, porque cantar era algo que eu queria naturalmente. Eu queria cantar, eu queria fazer música, e não acho que usar isso de ‘ser uma garota’ para sobreviver como banda era meu foco. Meu foco era sobreviver como banda com as minhas músicas, com os shows, com os discos, o que é sempre difícil. Cada passo que você dá é difícil e ser uma mulher nunca facilitou nada. Eu sempre me senti como um dos caras (risos). Tanto que às vezes ouço isso de ser uma das primeiras mulheres no metal, mas pra mim não faz diferença, porque é algo natural. Se eu tivesse nascido homem, teria feito metal da mesma forma, então... (risos).
Falando agora sobre Warlock e sua carreira solo, que na verdade é uma extensão da sua antiga banda, porque vocês encontraram problemas judiciais para manter o nome da mesma. Quando ouço ambas, sinto diferenças em termos de composição e sonoridade. Como você analisaria essas diferenças? Claro, caso você ache que há alguma diferença! (risos).
Doro: Eu acho que o espectro ficou maior agora. Na minha carreira solo eu posso experimentar novos elementos, incluir diferentes influências musicais, como em “Love me in Black”...
Nossa, eu quase chorei quando você tocou essa música ao vivo no show! (risos)
Doro: Ah, que demais! Mas então, músicas como ela, acabaram surgindo naturalmente, e isso acontece quando você já faz algo há tanto tempo, como compor. A diferença é que antes, no Warlock, as músicas eram totalmente metal, rápidas e cheias de riffs. Eu ainda amo esse metal puro e tradicional, mas agora, na carreira solo, abro espaço pra outros tipos de composição.
Quanto às letras, o que eu posso notar é que você parece ter facilidade em compô-las e adapta-las às instrumentais que acompanharão cada uma delas. Por exemplo, em músicas mais rápidas, como Hellbound, a letra acaba sendo mais agressiva, enquanto em sons como Love me in Black, que você acabou de citar, as letras são mais suaves, o que mostra uma grande versatilidade e habilidade em escrever. Quais as inspirações na hora de compor uma letra?
Doro: Cada música surge de uma maneira diferente, em momentos diferentes. Às vezes eu estou pronta pra dormir, pensando na cama, e do nada surge uma idéia na minha cabeça, e então imediatamente eu já tento adicionar elementos que a caracterizem do mesmo jeito que ela estava na minha cabeça, da mesma forma que eu a imaginei, é uma coisa muito natural. Eu simplesmente não consigo voltar a dormir enquanto não termino o que comecei (risos). É muito legal quando isso acontece e as pessoas conseguem reconhecer esse cuidado e a paixão que temos na hora de compor. Uma das músicas mais intensas que já compus se chama Ich Liebe, em alemão,que em inglês significa “I love”. Eu me lembro que uma vez eu estava em frente ao túmulo do meu pai, quem eu amava muito, e era seu aniversário. Eu e minha mãe sempre fazíamos isso e nos certificávamos de levar pra ele as flores mais bonitas que pudéssemos encontrar, como se fosse uma pequena cerimônia em homenagem a ele. E desta vez, estávamos no meio do momento quando tive a idéia para essa música. Fui obrigada a dizer para minha mãe “termine isso aí sozinha porque eu preciso sentar e escrever! Eu estou com uma idéia maravilhosa na cabeça e preciso terminá-la antes que eu me esqueça!” (risos). Então eu voltei pra casa e escrevi a letra imediatamente e posso te garantir que ela foi escrita debaixo de umas mil lágrimas. Eu não conseguia controlar, eu parecia um daqueles desenhos, com tanta água saindo do meu olho! (risos). Esse tipo de coisa acontece quase como mágica, e geralmente expressam o que você sente lá dentro, no coração, na alma. Eu gosto de mesclar músicas agressivas com as mais sentimentais, afinal é assim que todo mundo se sente.
Você já excursionou e fez várias participações em shows com outros grandes nomes na cena, como Motorhead, Scorpions e muito mais. Qual você considera o mais importante e marcante na sua carreira?
Doro: Hum... Difícil!
Ok, vamos fazer um top 3 então, para facilitar as coisas!
Doro: Ah, bem melhor assim! (risos). Para mim, o mais importante de todos foi sem dúvida, Ronnie James Dio. Ele sempre foi uma inspiração pra mim como músico e como pessoa, e ter a chance de trabalhar com ele foi algo único. Já tocamos com ele no passado, mas há dois anos tocamos com o Heaven and Hell, e foi incrível. Lá no início mesmo, quando tocamos com ele, foi maravilhoso, porque éramos uma banda não muito conhecida e do nada estávamos tocando em estádios, para muitas pessoas, como banda de abertura. Outra pessoa importante pra mim foi o Lemmy. Além de ser uma ótima pessoa, nós tocamos juntos na época do Calling The Wild, e assim que meu pai morreu, ele foi uma das pessoas que mais me apoiou e me deu forca para seguir em frente. Ele é realmente um grande amigo. Mas não posso descartar todos os outros, pois todos foram importantes de certa forma, cada um à sua maneira.
Para finalizar, você tinha idéia da quantidade de fãs que você tinha por aqui? Tinha idéia do quê esperar?
Doro: É claro que temos uma idéia de que as pessoas por aqui são diferentes, mais apaixonados. E chegando aqui, só pude confirmar isso: muita gente no show e agitando muito durante todas as músicas. As pessoas aqui no Brasil realmente sabem o que é o verdadeiro espírito do metal.
Bem, só podemos esperar que você volte logo!
Doro: Eu sempre tentei e continuarei tentando fazer com que eu venha aqui com mais freqüência, afinal “EU AMO BRASIL!” (a vocalista falou essa ultima frase em português).
Falando agora sobre Warlock e sua carreira solo, que na verdade é uma extensão da sua antiga banda, porque vocês encontraram problemas judiciais para manter o nome da mesma. Quando ouço ambas, sinto diferenças em termos de composição e sonoridade. Como você analisaria essas diferenças? Claro, caso você ache que há alguma diferença! (risos).
Doro: Eu acho que o espectro ficou maior agora. Na minha carreira solo eu posso experimentar novos elementos, incluir diferentes influências musicais, como em “Love me in Black”...
Nossa, eu quase chorei quando você tocou essa música ao vivo no show! (risos)
Doro: Ah, que demais! Mas então, músicas como ela, acabaram surgindo naturalmente, e isso acontece quando você já faz algo há tanto tempo, como compor. A diferença é que antes, no Warlock, as músicas eram totalmente metal, rápidas e cheias de riffs. Eu ainda amo esse metal puro e tradicional, mas agora, na carreira solo, abro espaço pra outros tipos de composição.
Quanto às letras, o que eu posso notar é que você parece ter facilidade em compô-las e adapta-las às instrumentais que acompanharão cada uma delas. Por exemplo, em músicas mais rápidas, como Hellbound, a letra acaba sendo mais agressiva, enquanto em sons como Love me in Black, que você acabou de citar, as letras são mais suaves, o que mostra uma grande versatilidade e habilidade em escrever. Quais as inspirações na hora de compor uma letra?
Doro: Cada música surge de uma maneira diferente, em momentos diferentes. Às vezes eu estou pronta pra dormir, pensando na cama, e do nada surge uma idéia na minha cabeça, e então imediatamente eu já tento adicionar elementos que a caracterizem do mesmo jeito que ela estava na minha cabeça, da mesma forma que eu a imaginei, é uma coisa muito natural. Eu simplesmente não consigo voltar a dormir enquanto não termino o que comecei (risos). É muito legal quando isso acontece e as pessoas conseguem reconhecer esse cuidado e a paixão que temos na hora de compor. Uma das músicas mais intensas que já compus se chama Ich Liebe, em alemão,que em inglês significa “I love”. Eu me lembro que uma vez eu estava em frente ao túmulo do meu pai, quem eu amava muito, e era seu aniversário. Eu e minha mãe sempre fazíamos isso e nos certificávamos de levar pra ele as flores mais bonitas que pudéssemos encontrar, como se fosse uma pequena cerimônia em homenagem a ele. E desta vez, estávamos no meio do momento quando tive a idéia para essa música. Fui obrigada a dizer para minha mãe “termine isso aí sozinha porque eu preciso sentar e escrever! Eu estou com uma idéia maravilhosa na cabeça e preciso terminá-la antes que eu me esqueça!” (risos). Então eu voltei pra casa e escrevi a letra imediatamente e posso te garantir que ela foi escrita debaixo de umas mil lágrimas. Eu não conseguia controlar, eu parecia um daqueles desenhos, com tanta água saindo do meu olho! (risos). Esse tipo de coisa acontece quase como mágica, e geralmente expressam o que você sente lá dentro, no coração, na alma. Eu gosto de mesclar músicas agressivas com as mais sentimentais, afinal é assim que todo mundo se sente.
Você já excursionou e fez várias participações em shows com outros grandes nomes na cena, como Motorhead, Scorpions e muito mais. Qual você considera o mais importante e marcante na sua carreira?
Doro: Hum... Difícil!
Ok, vamos fazer um top 3 então, para facilitar as coisas!
Doro: Ah, bem melhor assim! (risos). Para mim, o mais importante de todos foi sem dúvida, Ronnie James Dio. Ele sempre foi uma inspiração pra mim como músico e como pessoa, e ter a chance de trabalhar com ele foi algo único. Já tocamos com ele no passado, mas há dois anos tocamos com o Heaven and Hell, e foi incrível. Lá no início mesmo, quando tocamos com ele, foi maravilhoso, porque éramos uma banda não muito conhecida e do nada estávamos tocando em estádios, para muitas pessoas, como banda de abertura. Outra pessoa importante pra mim foi o Lemmy. Além de ser uma ótima pessoa, nós tocamos juntos na época do Calling The Wild, e assim que meu pai morreu, ele foi uma das pessoas que mais me apoiou e me deu forca para seguir em frente. Ele é realmente um grande amigo. Mas não posso descartar todos os outros, pois todos foram importantes de certa forma, cada um à sua maneira.
Para finalizar, você tinha idéia da quantidade de fãs que você tinha por aqui? Tinha idéia do quê esperar?
Doro: É claro que temos uma idéia de que as pessoas por aqui são diferentes, mais apaixonados. E chegando aqui, só pude confirmar isso: muita gente no show e agitando muito durante todas as músicas. As pessoas aqui no Brasil realmente sabem o que é o verdadeiro espírito do metal.
Bem, só podemos esperar que você volte logo!
Doro: Eu sempre tentei e continuarei tentando fazer com que eu venha aqui com mais freqüência, afinal “EU AMO BRASIL!” (a vocalista falou essa ultima frase em português).
16 de maio de 2011
DORO: Ela é carioca (Entrevista para o Rock em Geral)
Entrevista da Doro para o site Rock em Geral.
Aproveitando o primeiro show de uma mini turnê pelo Brasil, Doro Pesch se diverte em programas turísticos no Rio e conta tudo sobre os três shows no País.
Foto: Jean Secca.
Entrevista publicada dia 21/04.
A música de Vinícius de Moraes não poderia ter sido inspirada numa garota alemã, mas Doro Pesch já encarnou o jeito carioca de ser. Sabendo que a mini turnê de três shows pelo Brasil começaria hoje, no Rio, a Rainha do Metal foi esperta e chegou mais cedo para dar um rolé pela cidade. Tomou sol na Praia de Copacabana, foi ao Cristo Redentor e circulou pela Lapa. Tudo como turista “incidental”, claro.
Doro, revelada na banda Warlock, no início dos anos 80, traz ao Brasil a turnê de seu último álbum “Fear No Evil”, de 2009, misturada com os shows que resultaram na gravação do DVD “25 Years in Rock and Still Going Strong”, recém lançado e repleto de participações especiais. A cantora, pioneira entre os machões malvados do metal, promete atender aos pedidos dos fãs por esta ou aquela música. Isso caso o repertório, repleto de clássicos, já não satisfaça o público que comparecer hoje – vejam só – na Ilha dos Pescadores, na Barra da Tijuca. Sábado é a vez de São Luis, e, domingo, São Paulo.
Além de entregar o que sua banda vai tocar nos shows, nessa entrevista exclusiva, feita por telefone, a animadíssima Doro Pesch fala das músicas de “Fear No Evil”, de suas referências no mundo do metal, de quem pode sucedê-la no posto de “Metal Queen”, e de toda a sua entrega ao universo do heavy metal. Família? Só se for “numa outra vida”, diz a cantora, que se considera praticamente uma “garota carioca”. Por essa o poetinha não esperava.
Doro, revelada na banda Warlock, no início dos anos 80, traz ao Brasil a turnê de seu último álbum “Fear No Evil”, de 2009, misturada com os shows que resultaram na gravação do DVD “25 Years in Rock and Still Going Strong”, recém lançado e repleto de participações especiais. A cantora, pioneira entre os machões malvados do metal, promete atender aos pedidos dos fãs por esta ou aquela música. Isso caso o repertório, repleto de clássicos, já não satisfaça o público que comparecer hoje – vejam só – na Ilha dos Pescadores, na Barra da Tijuca. Sábado é a vez de São Luis, e, domingo, São Paulo.
Além de entregar o que sua banda vai tocar nos shows, nessa entrevista exclusiva, feita por telefone, a animadíssima Doro Pesch fala das músicas de “Fear No Evil”, de suas referências no mundo do metal, de quem pode sucedê-la no posto de “Metal Queen”, e de toda a sua entrega ao universo do heavy metal. Família? Só se for “numa outra vida”, diz a cantora, que se considera praticamente uma “garota carioca”. Por essa o poetinha não esperava.
Rock em Geral: E aí, tudo bem? Curtindo o Rio?
Doro Pesch: Essa cidade é incrível. Em 2006 eu não passei do aeroporto (tocou no Live n Louder Festival em São Paulo), de modo que essa é a minha primeira vez, estou muito animada, fui ao Corcovado ontem e adorei. Daquela vez não tive tempo de conhecer a cidade, mas agora é o céu, estou amando! Sou praticamente uma garota carioca!
REG: E sobre o show, o que você espera para hoje à noite?
Doro: Estou animadíssima, até já encontrei alguns fãs no hotel, todo mundo parece bastante empolgado. Eu quero tocar todos os sucessos de todos os álbuns, fazer o show que costumamos fazer. Eu realmente sinto que será um grande show para uma plateia apaixonada. Vamos tocar “All We Are”, “Burning the Witches” e “True as Steel”. E também “Night of the Warlock”, que é do ultimo disco, vamos tocar o hino do Wacken (“Wacken Hymne (We Are The Metalheads)”), que é um grande hino do metal e também uma música de Ronnie James Dio chamada “Egypt (The Chains Are On)”. Eu era uma grande fã dele e gravei essa música para um disco tributo. No bis os fãs vão poder gritar o nome das músicas que eles querem ouvir.
REG: É mais ou menos o repertório que vocês tocam na turnê…
Doro: Bem parecido, colocamos sempre os sucessos, algumas do disco mais recente e músicas de todos os discos. Temos um set list básico, mas podemos improvisar para atender ao público. Gosto de mudar o set list quando sinto que é o momento, cada show é um show, eles nunca são iguais. O show chega perto de duas horas…
REG: Qual é a banda que está com você para essa tour no Brasil?
Doro: O meu baixista é Nick Douglas, que está na banda há 21 anos. Tem o Johnny Dee, na bateria, que entrou em 1993. Tem o Bas Mas, guitarrista, que eu encontrei aqui na America do Sul em 2006. Ele era do After Forever, mas a banda acabou e desde 2009 ele está comigo. E o Luca Princiota, que faz guitarra base e teclado. É quase o line up que gravou o último disco.
REG: Você é uma pioneira no mundo do metal, mas hoje há muitas mulheres cantando no meio. Como você percebe essa mudança?
Doro: Eu acho que é ótimo porque temos grandes talentos, mulheres lindas que cantam muito. Para mim foi uma coisa normal, eu adoro música, amo o metal, isso é tudo para mim, e o fato de ser mulher não me atrapalhou. É sempre difícil sobreviver como músico, sendo homem ou mulher. Você sempre tem que lutar pela sua música, seja numa banda de rock ou de metal, nunca é fácil. Mas é sempre recompensador ver o apoio dos fãs, eles foram maravilhosos desde o começo. Gosto disso mais que tudo no mundo, é minha vida, minha inspiração, minha motivação.
REG: Quais foram suas principais referências no início da careira?
Doro: Eu fui muito influenciada por caras como Ronnie James Dio, que era muito legal. O espírito dele, a música dele, isso vai ficar pra sempre. Eu cresci ouvindo muito David Coverdale (Whitesnake) e Biff Byford, do Saxon. Hoje em dia gosto muito do Rammstein, uma banda alemã diferente de tudo. Gosto muito de bandas novas, mas ainda ouço as antigas, sou fã da new wave of british heavy metal, que influenciou todo mundo que veio depois.
REG: Sobre as cantoras mais novas, quais você acha que, um dia podem ocupar o lugar de “Metal Queen”?
Doro: Das cantoras que eu gosto posso citar, por exemplo, a Angela Gossow, do Arch Enemy, do Epica a Simone Simons, ela é ótima cantora, e Tarja Turunen, é claro, a ex- vocalista do Nightwish, que canta muito bem e é destaque na cena.
REG: No disco mais recente, “Fear No Evil”, você reuniu várias cantoras para gravar a faixa “Celebrate”. Como isso funcionou?
Doro: A idéia partiu do produtor do disco, de colocar uma faixa com convidados fazendo uma espécie de dueto, com vozes femininas de um lado e masculinas de outro. Achei a sugestão ótima, e decidi chamar os amigos que faço nas turnês, como as garotas do Girlschool, nos conhecemos há muito tempo, dede os anos 80. Chamamos a Floor (Janssen, do After Forever), a Angela (Gossow, do Arch Enemy)… Queria juntar todos os gêneros, do death metal ao gothic metal, e acho que ficou muito legal. Acabou ficando quase só voz feminina mesmo.
REG: A Tarja canta nesse disco, mas em outra música. Por quê?
Doro: Essa música na qual ela canta, “Walking With The Angels”, foi uma das primeiras que fizemos e pensamos em alguém com uma voz angelical, uma voz feminina para cantar. Só podia se alguém como a Tarja! E a coisa do “Celebrate” aconteceu bem depois. Já é tão difícil conseguir a participação das pessoas, com suas agendas apertadas, então não quis chamá-la para uma segunda vez.
REG: Essa música parece ter sido feita mesmo para ela cantar…
Doro: Definitivamente! Ela tem uma voz poderosa e a combinação da voz dela com a minha ficou muito boa.
REG: A faixa que abre o disco, “The Night Of The Warlock”, é uma espécie de tributo à banda que te revelou?
Doro: É, sim, foi feita por conta da comemoração do aniversário de 25 anos e eu queria fazer uma música porrada para tocar nos shows. Demorei quase um ano para finalizar essa música, mas ficou muito legal. Foi uma das primeiras que fechamos para este álbum.
REG: Já pensou numa turnê de reunião com o Warlock? Não só um show isolado, mas uma turnê?
Doro: Uma turnê é muito difícil, porque os caras estão fora da música, têm trabalhos convencionais e famílias. Eu também tenho a minha banda, não quero largar a minha história. Um show ou outro dá pra fazer, mas uma turnê é um pouco mais difícil. Eu nunca digo nunca, mas nesse caso acho difícil.
REG: Como foi gravar a música “Herzblut”, que no disco saiu em alemão, em português?
Doro: Gravei em português, espanhol e francês. Em português ficou “Eu Dou-te o Meu Coração” (fala com forte sotaque) e eu adorei. Gosto de fazer algo difícil, com muita vontade e paixão. Ficou muito bom, fui treinada por uma cantora brasileira que adaptou a letra e me ensinou a cantar. Gostei bastante, no final das contas, foi para mostrar o quanto gosto dos fãs brasileiros, que são muitos. Pena que esse EP (“Herzblut”) seja difícil de achar, saiu numa edição limitada.
REG: O “Fear No Evil” é de 2009, tem a intenção de lançar um novo disco em breve?
Doro: Já temos músicas novas, mas não prontas para tocar ao vivo. Acho que o próximo disco sai no início do ano que vem. Acabamos e lançar o DVD “25 Years In Rock And Still Going Strong”, e temos o ano todo para ir preparando o novo disco, em meio às turnês. Temos muitas idéias e eu já estou bem animada com elas. Devemos entrar em estúdio este ano, mas o trabalho só fica pronto no ano que vem.
REG: Você é uma pessoa muito integrada no meio do metal, mas, de outro lado, tem uma vida pessoal, digamos, normal, com casamento, família e filhos?
Doro: Nada disso, minha vida pessoal é a música o tempo todo. Sou totalmente dedicada a musica e aos fãs, é a coisa mais importante na minha vida. Eu nunca comecei uma família, firmei essa posição de me dedicar totalmente à música e aos fãs, é com o que eu realmente me preocupo, o que me faz feliz. Talvez numa outra vida eu faça uma família, mas nesta tudo vai bem assim. Adoro os fãs e a cena metal, em qualquer lugar que vou encontro uma grande família de fãs do metal. Sou muito orgulhosa e feliz de ter uma vida pessoa assim, um pouco diferente, mas estou 100% satisfeita.
11 de maio de 2011
DORO: Entrevista para o Road to Metal
Você pode e deve ler a entrevista de Doro ao Road to Metal clicando aqui.
Nesta entrevista, Doro fala sobre a expectativa de reencontrar os fãs brasileiros, curiosidades do início da carreira, a emoção ao falar do seu grande inspirador e amigo Dio e a música que está escrevendo para ele, sua nova empreitada no cinema, o amor pela música e fãs, repetindo seguidamente que estará no palco até o último dia da sua vida, e muito mais...
Road: Você se lembra quando e quem influenciou você a decidir ser cantora? Você teve alguma influência dos pais ou um membro da família?
Doro: Eu tinha 3 anos e me lembro de me apaixonar por música nesta idade e tudo que eu fazia era estar cantando ou ouvindo música. Meu pai dirigia um caminhão e nós estávamos sempre a ouvir rádio, e eu ficava cantando, às vezes 10 horas por dia, enquanto ele estava dirigindo... ele amava a música e também sempre me deu grande apoio, e acho que ele estava feliz e orgulhoso de sua menina também amar a música....
Doro: Eu tinha 3 anos e me lembro de me apaixonar por música nesta idade e tudo que eu fazia era estar cantando ou ouvindo música. Meu pai dirigia um caminhão e nós estávamos sempre a ouvir rádio, e eu ficava cantando, às vezes 10 horas por dia, enquanto ele estava dirigindo... ele amava a música e também sempre me deu grande apoio, e acho que ele estava feliz e orgulhoso de sua menina também amar a música....
Road: E sua primeira banda, o Snakebite, em quem vocês se inspirararam para iniciar uma banda?
Doro: Sim, Snakebite foi minha primeira banda! Nós começamos em 1980... e nós sequer sabíamos que estávamos fazendo heavy metal... não haviam revistas naquela época, e tudo estava apenas começando, o cena Metal era bem pequena, mas nós estávamos crentes e fortes e nós ensaiávamos dia e noite. E eu soube, então, que eu queria fazer aquilo pelo resto da minha vida, com certeza.
Doro: Sim, Snakebite foi minha primeira banda! Nós começamos em 1980... e nós sequer sabíamos que estávamos fazendo heavy metal... não haviam revistas naquela época, e tudo estava apenas começando, o cena Metal era bem pequena, mas nós estávamos crentes e fortes e nós ensaiávamos dia e noite. E eu soube, então, que eu queria fazer aquilo pelo resto da minha vida, com certeza.
Road: E seu primeiro show? Como você se sentiu durante a sua primeira experiência no palco?
Doro: oooohhh, foi “heavy”!! Meu primeiro show foi em um pequeno, sujo e total hardcore punkclub, e foi uma aventura, para dizer o mínimo... Começamos a tocar e havia talvez 25 headbangers e metalheads lá e cerca de 120 punks... e naquele tempo punks e metalheads não se davam muito bem... então depois de um par de canções, notamos que havia uma revolta total em curso e nós tememos por nossas vidas. Mas nós sobrevivemos. E depois de os punks destruirem todos os nossos amplificadores e guitarras, deixaram-nos tocar algumas músicas mais com nossos equipamentos destruídos!! Nos sentimos ... Cara!! Era muito selvagem e muito legal sobreviver a isso... foi minha primeira experiência e nada mais, jamais poderia me chocar depois disso.
Road: Conte-nos como foi sua entrada para o Warlock e como se sentiu ao assinar o primeiro contrato com uma gravadora e logo depois sair em turnê com bandas como Judas Priest?
Doro: Formamos Warlock em 1982, apenas com alguns amigos músicos da nossa sala de ensaio, em uma antiga fábrica enorme. Havia um monte de bandas e todos se conheciam, então um dia formamos WARLOCK. Mas algumas pessoas deixaram a banda logo depois que entraram e algumas pessoas não apareciam mais para ensaiar, então havia um monte de line ups no início... Então, logo tivemos um fã-clube e um dos caras enviou uma demotape, pouco depois, em algumas semanas, nós tivemos quatro ofertas de várias gravadoras pequenas... decidimos pela que tinha o logo mais legal, foi isso mesmo!! Tomamos a nossa decisão meramente porque o logotipo da gravadora tinha duas gotas de sangue em ambos os lados do M... (Mausoleum) Parecia mais Metal e era isso que era importante...
Mais tarde, mudamos para a Phonogram e nós entramos em contato com nossas bandas favoritas, tocando no lendário Monster of Rock Festival e depois saímos em turnê com o Judas Priest em 1986 e Ronnie James Dio em 1987. Era irreal, os nossos maiores heróis, nossas maiores inspirações. Era um sonho! Toda noite no ônibus eu chorava de felicidade e agradecimento... foi incrível... totalmente incrível!
Road: Na época, ainda era raro encontrar mulheres em Bandas de Metal. Você encontrou muita resistência, ou discriminação no começo?
Doro: Não, em nenhum momento, nenhuma resistência e nenhuma discriminação. Todo mundo sempre foi muito bom para mim e me tratou com respeito e me senti muito apoiada por todas as outras bandas e músicos, e eu sempre, sempre senti uma conexão profunda e sólida com os fãs. Acho que sempre senti que eu amava os fãs e a música, mais que qualquer outra coisa neste mundo, e que eu estou totalmente dedicada e nunca vou desistir. Meu único desejo na vida foi e é fazer os fãs felizes, e eu senti isso desde o início.
Road: Em seu DVD de 25 anos, há uma celebração incluindo várias vocalistas. Como que você vê hoje a participação das mulheres no metal, e se um dia você tiver de passar a coroa de Rainha do Metal, quem seria sua sucessora?
Doro: A participação feminina é fantástica, e há uma série de grandes músicos do sexo feminino lá fora... Eu não sei ainda quem seria a escolhida. Existem tantas tão talentosas. E isso sempre passa pelo gosto pessoal. Mas eu quero fazer isto até o último dia da minha vida e nunca desistir antes... se possível.
Road: No ano passado perdemos Ronnie James Dio. Você teve a chance de dividir o palco com ele. Poderia nos contar uma história ou algum momento memorável de todos aqueles shows que você fez com ele, e, é claro, o que você se sentiu com a morte de Dio? Algo que os fãs dizem, é que você, como Dio, tem um carinho enorme pelos os fãs, e por este respeito e cuidado, vocês são dois dos artistas de Metal mais admirados por nós, os fãs.
Doro: Esse foi o dia mais triste da minha vida, eu amava muito Ronnie James Dio e eu ainda estou tão triste que ele se foi... ele foi a minha principal inspiração como cantor e como ser humano, e sou tão agradecida que tive a oportunidade de viajar com ele e conhecê-lo um pouco... ouvir a sua voz suave, que sempre tinha sempre algo sábio e profundo a dizer, e ele tinha um ótimo senso de humor, ele foi o melhor! Estou apenas no meio de uma canção que estou escrevendo sobre ele e quanto ele significava para mim e para todos nós, o título é “HERO”. Nós dedicamos o DVD novo para ele. Há algumas grandes fotos no encarte, que mostra Ronnie e eu cantando na turnê pelos EUA em 2000, na Flórida. Nós nos demos muito bem naquela grande turnê! Foi tão surpreendente fazer os shows de apoio, e nos encores dos últimos 3 shows ele me deu um microfone para cantar com ele e os fãs LONG LIVE ROCK N ROLL... oh... cara... inesquecível...
Não acredito que nunca mais haverá uma chance de cantarmos juntos novamente, ou falar e rir... Eu sei que tantos fãs estão inconsoláveis e temos que tentar viver seu espírito e contar aos fãs mais jovens sobre ele. Sei que muitos Metalfans mais jovens nunca tiveram a oportunidade de vê-lo vivo, e nós temos que cuidar para que a próxima geração saiba sobre ele e sua enorme voz e música. É tão triste e eu só quero dizer que eu nunca conheci alguém com um coração tão grande, quente e um espírito tão grande e gentil, e ele amava tanto os fãs! Os fãs eram tudo! Estavam em sua vida e eram a coisa mais importante para ele!
Road: Eu gostaria que você falasse um pouco sobre o que aconteceu quando você perdeu os direitos sobre o nome Warlock, e a decisão de usar seu nome para batizar a banda.
Doro: Oh foi um desastre, o manager da época roubou nosso nome e isso foi muito muito difícil. Mas 5 anos atrás eu recebi os direitos sobre o nome de volta. Nos chamamos “DORO” para continuar, para excursionar e gravar, mas foi muito difícil no começo. Eu amava o nome WARLOCK mas não poderia usá-lo mais, mas eu ainda continuo querendo cantar e gravar.
Road: Voltando ao DVD comemorando os 25 anos de carreira e seu mais recente cd de estúdio, "Fear No Evil", você tinha vários convidados especiais, bem como em outros momentos da carreira você teve uma parceria muito especial, como Gene Simmons, Lemmy, etc.. Com muitas amizades dentro do metal, você não pensa em um cd com convidados em todas as faixas? Seria algo muito especial e mais uma grande celebração. Bem, como seu fã , eu acho que seria muito legal.
Doro: Sim, essa é uma idéia fantástica, eu adoraria fazer isso, mas não é fácil conseguir todos no mesmo lugar, ao mesmo tempo, mas é uma grande ideia, talvez ele possa ser feito, deixe estar. Vamos ver, ok.
Road: E com quem você nunca trabalhou, e que você gostaria de ter como convidado em um álbum seu?
Doro: Ronnie James Dio seria o meu sonho.
Doro: Ronnie James Dio seria o meu sonho.
Road: Conte-nos como foi a experiência do filme "Anuk , The Way of The Warrior”, que também teve Marc Storace, e se você tem planos para investir mais nessa área e recebeu outro convite para atuar? Lembro-me que tinha participado em um programa alemão, "Verbotene Liebe".
Doro: Isso foi realmente algo! Aventura, natureza total e eu adorei fazê-lo.Eu espero que o produtor não queira me matar agora, porque isto ainda continua top secret, mas estamos planejando uma segunda parte de Anuk, e eu vou fazer a guerreira MEHA novamente! Estou tão animada... Vai ser filmado no ano que vem...
Road: Diga-nos as suas impressões em sua primeira viagem ao Brasil, o Festival Live and Louder de 2006, e suas expectativas para os shows agora em abril?
Doro: Eu estava absolutamente espantada com os fãs, e eu senti que foi uma das melhores experiências que já tive. Eu amo os fãs brasileiros, que têm tanta paixão, fogo e energia, e eles sabem o que é o Metal em seus corações e o vivem! Fiquei profundamente tocada por sua gentileza, me deram um enorme feedback, que prometi uma grande volta e prometi dar tudo de mim quando eu voltar. É uma grande honra tocar no Brasil novamente e eu já estou olhando bem para o futuro, já pensando em voltar mais vezes. Eu quero tocar todos os destaques de Burning Witches a True as Steel, All We Are, We Are the Metalheads, The Wackem Anthem, o hino WACKEN e algumas grandes surpresas, algumas músicas novas do FEAR NO EVIL CD e ... e algumas outras "headbangin...."
Road: Você pratica boxe, não é? Inclusive fez a música "She's Like Thunder" para sua amiga, a lutadora Regina Halmich. Que esportes você segue ou pratica? Falando de boxe, uma jovem revelação brasileira, Daisa Munhoz, cantora do Soulspell, também pratica boxe e achou muito legal saber que você também curte o esporte.
Doro: Oh sim, eu amo o boxe, desde que eu vi Mohammed Ali! Eu fiz um pouco de thaiboxing, mas como estamos direto em turnê, não tenho praticado muito... mas sim, eu amo o boxe e por favor, diga um “oi ” para DAISA Munhoz, do Soulspell, por mim!
Road: Duas grandes bandas anunciaram suas despedidas, Judas Priest e Scorpions. Como admiradora do trabalho deles e também como amiga, como você se sente sobre isso? Você já falou que vai continuar até seu último dia de vida, mas algum dia já pensou em parar também, de fazer turnês ou gravar?
Doro: Oh cara... isso é triste. Eu adoro as duas bandas e eu não posso acreditar. Nós somos grandes amigos e tenho tantas grandes recordações! Eu aprendi muito com eles também, e eu tenho muito respeito por eles, ambos são excelentes e espero que isso não seja o fim. Espero que eles mudem de idéia. É muito difícil deixar algo que é tão grande se ir... mas para responder à segunda parte da pergunta... Eu nunca quero parar, nunca mais quero parar de fazer turnês, nunca mais quero parar de gravar, e enquanto os fãs quiserem que eu faça isso, vou fazê-lo e tentar sempre fazer os fãs 100% felizes enquanto eu viver.
Road: Doro, muuito obrigado pela sua atenção, serão grandes celebrações no Brasil neste mês de abril, nós, brasileiros amamos você! Espero que depois dessa turnê, se sigam muitas outras mesmo!!
Doro: Eu vejo vocês em breve pessoal. Eu amo vocês mais que tudo neste mundo e eu mal posso esperar para vê-los, é uma honra... Stay Hard, Stay Metal, Stay True as Steel !!FÜR IMMER, de todo meu coração profundo amor e respeito!
Por: Carlos "Caco" Garcia para Road to Metal.
3 de novembro de 2010
Doro na Roadie Crew # 142
A edição de número 142 (novembro de 2010) da revista Roadie Crew trás três páginas de entrevista com a DORO!
Finalmente uma revista nacional trouxe uma matéria com a Rainha. A última entrevista feita por uma revista nacional com a cantora foi em 2006 e também houve um poster no ano passado, na época do lançamento do Fear no Evil.
Não é à toa que pouca gente conhece o trabalho dela por aqui, há pouca divulgação em veículos de grande circulação. Torcemos pelo reconhecimento da Doro!
20 de junho de 2010
Relembrando: DORO no Brasil - Parte 3
A parte 3 do "Relembrando Doro no Brasil" é a entrevista dada ao site Delfos no dia 15/10/2006 no Hotel holiday Inn em São Paulo, o texto é de Carlos Eduardo Correales.
(...) essa foi uma entrevista complicada. Inicialmente, foram oferecidas ao mesmo tempo entrevistas com três bandas: Gotthard, Doro e Primal Fear (...) comecei a pensar na importância da Doro e resolvi que não podia deixar passar a oportunidade. O problema é que conhecia muito pouco dela e passei o feriado de 12 de outubro pesquisando e elaborando uma entrevista caprichada para que você, possa se divertir bastante lendo uma conversa bem diferente das que você encontra em qualquer revista por aí.
O combinado era que eu pedisse na recepção para falar com uma garota chamada Anja e que lá me informariam onde ela estava. Só que os recepcionistas nunca tinham ouvido falar dela. Falei que tinha horário marcado para entrevistar a Doro e disseram que eu teria que falar com o Ingo. Mas a única referência que sabiam me dar sobre o Ingo era que ele era careca. Depois de muito procurar, encontrei o Ingo e a Anja estava do lado dele. Ela me disse que estavam um pouco atrasados, mas eu seria o próximo.
Tinha um grupo de garotas entrevistando a vocalista ali mesmo na recepção e as gurias ultrapassaram em muito a meia hora combinada. Quando a entrevista delas terminou, ainda ficaram mais uns 10 ou 15 minutos pegando autógrafos e tirando fotos com a loirinha.Quando as gurias finalmente vão embora, começa a aparecer um monte de fãs pedindo autógrafos, tirando fotos e coisas do tipo. Finalmente, chega a minha vez, ao mesmo tempo que uma música altíssima começa a tocar no salão inteiro. Falo para a vocalista que estou preocupado que isso não permita que a gravação seja ouvida depois e ela, para minha surpresa, sugere irmos para o quarto dela, desde que eu “não me incomodasse com a bagunça”.
Seja como for, lá vamos nós rumo ao elevador do hotel batendo papo. Ela me pergunta sobre o DELFOS. Ela não entende o nome e eu falo sobre a ilha grega, mitologia e tal. A garota provavelmente não se interessa muito pelo assunto pois respondeu que se lembra vagamente disso na escola, embora ache bem interessante. Eu explico que é um site não apenas de música, mas também de cinema, games, etc, e ela fica super empolgada, pois vai ter chance de falar sobre o filme que ela fez. Quando chegamos na porta do quarto, descobrimos que o cartão não funcionava. De volta para o lobby para trocar o cartão. Quando esperávamos, chega um cara que se aproxima da Doro e fala coisas como “Doro, a rainha do Metal”. Finalmente, pede para dar um abraço nela. A moça aceita e o cara tasca um beijo na bochecha da guria. Um homem, que estava junto com a gente, diz ao fã “You can hug, but you can’t Kiss”. Finalmente, ficamos livres de fãs e pudemos ir para o quarto trabalhar.
Na subida, falo com a moça sobre essa situação, explico que nós damos beijos na bochecha por qualquer coisa e que o cara provavelmente não sabia que alemães não têm esse costume. Ela diz que sabe disso e que não queria deixá-lo sem graça. Perguntei se o carinha de baixo era o marido dela (dada a reação do cara) e ela disse que não, que não quer marido, nem filhos, pois os fãs e o meio da música são a família dela.
Quando chegamos no quarto (que realmente estava uma bagunça), ela dá uma arrumada rápida nas coisas para liberar uma cadeira para eu sentar, senta na cama e finalmente começamos a entrevista. Já eram mais de 18 horas.
Apesar de toda a sua fama de rainha do Metal, tive a impressão que Doro é até meio insegura. Fala baixo, às vezes até sussurrando como se estivesse contando um segredo ou fazendo alguma travessura (principalmente quando faz citações ao que outra pessoa falou), com um sotaque alemão muito forte e dificilmente olha nos olhos. Mesmo assim, fala bastante, repete várias vezes a mesma coisa e pára as frases no meio. Ela tem carisma de sobra e falou do Warlock (inclusive do fato de o nome ter sido roubado), do Iron Maiden, do Gene Simmons e de muitas histórias engraçadas e curiosas que você com certeza nunca leu em nenhum lugar, como a sensação de fazer parte de uma banda de Metal quando esse estilo de música estava ainda começando e ninguém sabia direito o que ele era. Sem exageros, a mina representa basicamente toda a história do Metal alemão e tudo isso está aí embaixo, em detalhes. E, claro, ela também falou sobre o filme do qual participou. Você pode conferir abaixo a conversa na íntegra e, só para constar, esta foi a primeira entrevista internacional conduzida pessoalmente pelo DELFOS.
Como foi seu primeiro contato com o Rock e o Heavy Metal?
Ah, meu primeiro contato foi quando eu era muito pequenininha, quando eu tinha uns três ou quatro anos e decidi virar cantora. Era a época do Glam Rock e eu era muito fã de Alice Cooper, T-Rex, Sweet e Slade. Eu conhecia uns caras mais velhos de 10 e 11 anos e eles me mostravam todos esses discos, do Led Zeppelin, Stones, todas essas coisas. Eu ainda nem estava na escola e nós já trocávamos cassetes e tudo. Foi uma boa introdução. Depois eu fiz uns 15, 16 anos e formei minha primeira banda, chamada Snakebite e nós fazíamos o que queríamos, Rock pesado, Hard Rock, algumas músicas de Heavy Metal, que estava começando. Nós nem sabíamos que éramos uma banda de Heavy Metal
Vocês achavam que eram o quê? Glam, Hard?
(com voz de muito empolgada) Não, para nós era só música pesada, sabe? Todo mundo vinha para o ensaio com idéias de novas músicas e a gente tocava e depois a gente percebeu que tinha todo um movimento Heavy Metal se formando. Isso foi em 1980. Daí a gente começou a ir a shows de Metal. Acho que o meu primeiro show, contando Metal ou Hard Rock foi o Whitesnake e depois Judas Priest e Accept. Daí alguns anos depois já tinha várias bandas e nós formamos o Warlock, gravamos nosso primeiro disco, era o começo dessa grande onda de Metal, mas nós fazíamos só o que queríamos, sabe? Sem nenhuma regra, desde que fosse legal, saísse do coração e fosse poderoso.
O nome Snakebite tinha alguma coisa a ver com Whitesnake?
O nome foi escolhido pelo baterista e acho que tinha alguma coisa a ver sim. Era um nome legal.
E suas principais influências eram essas que você falou? Alice Cooper, T-Rex?
Sim, sim! Eu adoro T-Rex e Pink Floyd, Stones, Led Zeppelin. Aí depois, da galera do Metal, Judas Priest, Metallica, Motörhead, Dio, amava a voz dele. Ainda amo. Tinha tantas bandas boas. Saxon, eu amo Saxon, eles têm ótimas músicas.
Você ficou desapontada com esse furo do Saxon?
Sim, pelo que eu fiquei sabendo, tinha alguma coisa errada com os vistos. Daí nós fomos para a Argentina para fazer dois shows não planejados porque o promotor perguntou se nós queríamos fazer um dia antes do show acontecer. No primeiro show, o pessoal parecia meio chocado, mas no segundo eles acharam legal. Não tenho certeza, mas acho que foi algo errado com os vistos, mas eu sei que muitos fãs ficaram tristes.
O Saxon é uma boa banda, muitas pessoas queriam vê-los.
Sim, sim. Eles têm ótimas músicas. Nós fizemos várias turnês com eles e sempre foi perceptível quantos fãs eles tinham.
Por que você decidiu sair do Snakebite e entrar no Warlock?
Naquela época tinha várias bandas e um lugar grande onde todas ensaiavam. Na época todos tinha 16 ou 17 anos e alguns tiveram que ir para o exército. Na Alemanha os homens têm que ir para o exército.
Todos os homens?
Sim, todo mundo. Era muito difícil não ir, você tinha que provar que era louco, o que era difícil. Ou que estava doente. Ou então dizer que não conseguiria matar pessoas e daí trabalharia em um hospital ou asilo.
E você tinha que ficar um ano no exército?
Sim. Uma época chegou até a ser 18 meses, depois ficou 12. Não sei quanto é agora. Bom, por causa disso, muitas pessoas tiveram que ir e nós precisamos substituí-las e era sempre uma tragédia porque as pessoas que precisavam entrar tinham que cortar o cabelo. Isso foi parte do motivo pelo qual existiam várias bandas. Outras pessoas tentavam a música, mas depois trocavam por um outro trabalho. Nessa época, quando eu estava no Snakebite, a maior parte das pessoas considerava isso um hobby, ninguém pensava em fazer disso uma carreira. Isso aconteceu só depois, com o Warlock e nosso primeiro álbum, o Burning the Witches. Depois fizemos o segundo e eu tinha um emprego normal, era artista gráfica, até que um dia o empresário me ligou no trabalho e perguntou (Nota: aqui o tom dela muda e fica como se ela estivesse contando um segredo), “Ei, Doro, você quer sair do seu trabalho?”, e eu respondi (voz de espantada) “Por quê?”. Ele respondeu que tínhamos a chance de fazer uma turnê com o Judas Priest. E eu disse “Sem chance, você tá me zoando”, e ele, “Não, cara, acabaram de me ligar”, e eu disse que isso era inacreditável. E esse foi o dia que saí do meu emprego e daí tudo ficou bem sério. Aí fizemos uma turnê grande, em 1986, tocando em lugares grandes, quando o Heavy Metal estava no auge e daí tocamos no Monsters of Rock para 100 ou 120 mil pessoas. Mas a gente não tinha idéia de que ficaria tão profissional, era só um hobby para colocar as frustrações e as emoções para fora, sabe?
Quando você assinou com a Polygram, você ainda trabalhava como artista gráfica?
Sim, ainda trabalhava.
E como esse contrato surgiu?
Essa é uma história engraçada. Nós fizemos o Burning the Witches e o pessoal começou a ouvir falar dessa banda chamada Warlock e daí um cara da Polygram foi assistir a um dos nossos shows na Holanda e o tímpano dele estourou, porque era tão barulhento e tão pesado. Daí ele ligou para o chefe da Polygram dizendo isso e que ele precisava ir para o hospital. Daí o chefe disse “ok, eu preciso dessa banda”.
Uau, isso realmente é “True” Metal! Tipo Manowar True Metal!
(rindo muito) Exatamente. Ele não ouviu nenhuma música, nem viu a banda e foi isso. Daí o chefe da Polygram foi a outro show na Holanda. Eu ainda trabalhava e estava com as roupas de trabalho, me preparando para ir ao camarim me trocar. Daí ele chegou e perguntou para mim quem era o cantor. Eu respondi que eu era a cantora e ele respondeu “sem chance!”. Eu disse que era a cantora. Ele: “Sem chance!”. Daí eu disse: “Vou provar para você!”, vesti a minha roupa de palco, fizemos um show tremendão e daí ele veio nos elogiar depois.
Você foi a primeira mulher a tocar no Monsters of Rock. Você pensou nisso na época?
Não, depois que as pessoas começaram a falar isso. Para mim não foi grande coisa. Eu estava feliz de estar lá, de ser uma musicista, de estar em turnê. Não via diferença entre ser mulher ou homem, o Metal está no coração, sabe?
Você já teve alguma dificuldade por ser uma mulher?
Na verdade não. Sempre foi difícil, por tocar Heavy Metal e Hard Rock, que eram tipo os foras da lei. Não era que nem na música Pop. Até hoje na Europa é quase impossível ouvir Metal no rádio ou na TV. Mas por um lado eu gosto disso, porque você não tem que participar de todos os esquemas da grande mídia. Teve uma época que isso me deixava triste, porque eu achava a maior parte dos nossos clipes muito legais e não entendia porque não tocavam eles. Mas hoje os fãs são como uma família e a gente consegue viver sem a grande mídia. Eu amo isso, sabe?
O que você acha dessas mulheres cantoras hoje em dia, que cantam de forma lírica e tal?
Acho que muitas dessas mulheres são tremendonas. Gosto da Angela, do Arch Enemy, acho que ela é muito boa.
(rindo) Ela não é lírica, mas é legal.
(rindo) É, ela não é lírica. Eu gosto, é claro, da Tarja, do Nightwish. A Floor do After Forever faz um trabalho ótimo. Eu conheço a Cristina, do Lacuna Coil, ela é legal. Eu tenho uma boa relação com todas as mulheres, todas nos conhecemos e nos apoiamos. Elas são muito fortes, boas vozes, boas personalidades. Eu nunca conseguiria cantar da forma clássica, eu nunca tentei. Sempre fui mais... uhn...
Pesada?
(rindo) É.
Você abriu shows de bandas como o Dio e o Megadeth. Como foi isso?
Foi a minha primeira turnê estadunidense com o Megadeth. Acho que foi Sanctuary, Warlock e Megadeth. E Sanctuary é hoje o cara do... uhn...
Nevermore
É, Nevermore. Era 87 e foi fantástico. A turnê do Dio foi em 86, não, foi 87 também e no ano 2000 nós tocamos novamente por todo os EUA. E em 86 teve aquela com o Judas Priest. Todas elas foram únicas e especiais. No mesmo ano da tour com o Judas, nós fizemos uma com o W.A.S.P. na Inglaterra, que também foi super. É sempre uma honra tocar com seus ídolos. É tão tremendão. Na primeira turnê com o Judas e o Accept eu não podia acreditar. Todo dia eu subia ao palco e não acreditava. E nós sempre fomos bem tratados, com iluminação e passagem de som completas. Nós aprendemos com os melhores.
Quem foram os mais legais e os mais chatos com quem você excursionou?
Hum... os mais legais, Deus... todos foram legais. O Dio foi demais. O Judas foi demais. E o Blackie Lawless foi demais, porque eu estava doente na Inglaterra depois da tour com o Judas, porque nos últimos dias da turnê, nós tocamos em um lugar onde se joga Hockey. Eu não tomei cuidado, fiquei em cima do gelo e dois dias depois fiquei muito doente. Aí era inverno na Inglaterra, o Blackie me viu e disse (sussurrando): “ei, Doro, você está doente? Fica no meu camarim, deita lá e descansa, tem umas poções para a voz. Fica lá o quanto precisar”. Eu nem sei onde eles se trocaram, porque só tinha um camarim. Ele foi muito legal, eu nunca esqueci isso. Agora sobre o mais chato, eu não tenho o que falar, porque nós tivemos sorte de sermos sempre bem tratados.
Vocês fizeram uma turnê com o Malmsteen, certo?
(empolgada) Sim, Malmsteen.
Ele também foi legal? Porque ele tem fama de ser muito chato.
(rindo) Sim, eu sei... Mas ele foi legal também. Foi na turnê do Dio. Éramos nós, o Malmsteen e o Dio. Mas não sei. Para nós, ele foi legal. Acho que foi sorte.
Por que a formação do Warlock mudava tanto?
Ah, Deus... o baixista estava cheio de tudo, disse que não queria mais fazer música, não se divertia e decidiu sair. Isso foi em 86. Depois o guitarrista não se dava bem com o empresário. Sempre acontecia algo e a formação nunca foi estável. Agora eu tenho uma formação estável. O baixista está comigo faz 16 anos, o guitarrista e o baterista estão faz 13 anos. Hoje nós nos damos bem, o que é ótimo. Mas naquela época ninguém estava preparado para ficar tão profissional. Era muita pressão. O que o empresário, o produtor ou a gravadora falava, você tinha que fazer, era diferente de hoje. Hoje os músicos têm mais liberdade, mas nos anos 80 o poder de um produtor era inacreditável e tinha muitas brigas. Na mixagem do nosso terceiro álbum, nós nem podíamos entrar no estúdio e daí não gostamos da mixagem final. Foi barra pesada. Daí o empresário saiu e levou junto o nome Warlock porque ele era (voz de desdém) o fuckin’ merchandiser e tinha interesse em manter o nome, mesmo não tendo nada a ver com ele. Daí nós tivemos que ir ao tribunal. Nós éramos jovens headbangers, de cabelo comprido e o juiz decidiu que o empresário ficaria com o nome.
Mas por que foi ele que registrou o nome?
Foi uma tremenda injustiça. Ele roubou todo o nosso dinheiro, o que já era ruim, mas pior foi roubar o nome. Ele disse que nós precisávamos garantir que ninguém pegasse esse nome. Disse que ficaria no meu nome, no do guitarrista e no dele, mas quando ele quis sair da banda, de repente estava apenas no nome dele. E o juiz não era um bom juiz e nós não acreditamos. Mas nós éramos “Heavy Metal kids” e o empresário estava de terno e gravata, com cara de profissional. Eu comecei a gritar no tribunal, mas não mudou nada e esse foi o fim do nome Warlock por muito tempo.
Daí você decidiu usar Doro?
A gravadora sugeriu que não pegássemos outro nome, que usássemos só Doro, pois assim os fãs fariam a conexão e eu concordei, porque se não chamássemos de Doro, perderíamos o contrato. Eu queria usar o Warlock e eles disseram que eu não podia. Eu disse “vou usar” e eles “você não pode”. E nós já tínhamos pôsteres de tours com o nome e tivemos que recolher ou teríamos que pagar muito dinheiro. Mas queria continuar na música.
Daí você teve o Gene Simmons como produtor. Como você chegou nele?
Ah, isso foi ótimo. Eu era um grande fã de Kiss e conheci o Gene no Monsters de 1988. Um ano depois, perguntei para o empresário se poderíamos entrar em contato com o Kiss para fazer algo juntos ou gravarmos uma cover deles e ele disse que achava que não ia rolar. Semanas depois, meu outro empresário – nós tínhamos dois nessa época e esse era... uhn...
O legal?
(rindo) É, o legal, o nome dele era Alex. Ele me ligou e disse para eu ir até lá que tinha alguém me esperando. Eu morava em Manhattan na época. Achei que eram amigos da Alemanha. Quando cheguei lá, ele disse “você não vai acreditar quem está esperando você, o Gene Simmons”. Eu achei que ele estava brincando. Dei três voltas no quarteirão até criar coragem de entrar e falar com ele. Ele foi legal e daí nós conversamos, ele disse que poderíamos fazer uma ou duas músicas juntos, mas deu tão certo que ele escreveu várias músicas para o disco, nós refizemos a música Only You e foi fantástico. Um sonho realizado e ele foi tão legal, conseguia motivar todo mundo.
Por que a música Only You? Era sua favorita?
Sim, era uma das minhas favoritas. A guitarra, o refrão, a melodia.
Ele cantou você?
(rindo) Não, não mesmo, foi puramente profissional. Um grande produtor, o melhor de todos os tempos.
Depois você assinou com a Warner, um selo ainda maior que a Polygram. Como isso aconteceu?
Parece legal, mas depois de 13 ou 14 anos na Polygram, achei que seria uma boa mudar de pessoas, de idéia. Daí fizemos o disco Love Me in Black, que demorou três anos para fazer, mas era uma época muito ruim para o Metal. Era 98 e a cena tinha encolhido muito. Tentei um som diferente, do qual ainda gosto bastante, mas a gravadora não apoiou direito, não deu muito certo. Daí eu mudei para a SPV, que era mais voltada ao Metal. A Warner é grandona, mas é mais voltada à música mais comercial, tipo Madonna. Não tem um departamento de Heavy Metal. Foi uma boa experiência, mas a Warner só lançava nos grandes mercados e o resto ficava sem nada. Com a SPV, nossos discos foram lançados no mundo todo de novo. Quando o contrato com a SPV acabou, nós fomos para a AFM.
Depois você tocou Fear of the Dark com o Blaze Bayley. Como isso aconteceu e por que Fear of the Dark?
Foi um concerto beneficente, com orquestra. Daí nós decidimos fazer um dueto e Fear of the Dark funcionou muito bem com a orquestra. Daí quando nós tocamos no Wacken, sempre fizemos Fear of the Dark e é minha música favorita do Maiden.
Você não pensou em tocar uma música na qual ele cantou originalmente?
Sim, nós pensamos nisso, mas... (voz de manha) Fear of the Dark é minha música preferida, perguntei se ele podia fazer e ele topou. Nós fizemos uma turnê juntos, ele fazia o show dele com a orquestra, ele abria o show e daí ele tocava suas músicas solo e da era Maiden, mas Fear of the Dark sempre fazíamos juntos.
E como você se sentiu tocando com o Lemmy?
Ah, isso foi fantástico. O Lemmy é um dos caras mais carismáticos e amáveis. Todo mundo do meio do Metal e do Rock ama ele, incluindo eu. Foi uma honra. Em novembro vamos lançar um DVD chamado 20 Years of Warrior Soul, que inclui o show do 20º aniversário, que fizemos há dois anos e tem vários participações especiais. O Udo Dirkschneider e o Saxon, o Blaze Bayley, o Lemmy e o Mikkey Dee do Motörhead, tocando Love me Forever Together. Vai ser duplo, com um documentário sobre a turnê, algo para os fãs die hard.
Como surgiu a idéia de tocar com orquestra?
As pessoas me perguntaram se eu participaria desse evento beneficente e se eu queria cantar umas músicas. Fizemos o show e foi fenomenal. Daí fizemos outros, gravamos o DVD e partiu daí. Foi meio por acidente.
E por que gravar Breaking the Law, que é uma música tão simples, com orquestra?
Eu sempre quis fazer uma música do Priest para agradecer pela grande oportunidade em 1986. E daí achei que seria um desafio especial fazer com orquestra, mas queria fazer alguma coisa diferente, pois a original é muito boa e não dá para fazer melhor. Ela é mágica, mas queria fazer uma versão interessante e acabou sendo minha música preferida no Classic Diamonds. Eu estava trabalhando no DVD do Udo, fizemos um clipe para a música dele, Dancing with Angels, que era um dueto. Ele perguntou o que estava fazendo, falei do projeto com orquestra, chamei ele, ele topou, lembrei da Breaking the Law, toquei a versão instrumental para ele, vi que ele gostou e fizemos. Acho que ficou muito boa.
Agora sobre o presente: como foi tocar no Brasil pela primeira vez?
Eu esperei tanto por esse momento. Você estava lá ontem, né?
Sim, estava.
Foi mais do que eu esperava. Os fãs foram tão barulhentos, foi tão legal. Espero que voltemos logo. Lá embaixo (no saguão do hotel) está o promotor do festival e ele gostou, então acho que é o primeiro passo para fazermos uma turnê aqui. Estou muito feliz e acho que não poderia ter sido melhor. Primeiro tocamos no Live ‘n’ Louder México e foi ótimo. Depois os dois shows na Argentina substituindo o Saxon e foi ótimo tocar lá. Toda essa viagem pela América do Sul foi ótima e ontem foi o grande destaque. Eu ouvia as pessoas falando tanto sobre tocar aqui.
Você ouviu falar muito dos fãs brasileiros?
Sim, as bandas que já passaram por aqui me falaram. Há duas semanas, na Espanha, falei com o Schmier do Destruction e ele disse que eu ia amar, que os fãs são selvagens e loucos. E foi exatamente como ele disse. Fiquei muito feliz. Vocês têm uma grande reputação. Todo mundo diz que os fãs sulamericanos são os mais True Metal de todos, que são fantásticos. Eu adoro quando as pessoas mostram as emoções.
Por que demorou tanto para você vir?
Já falamos com muitas agências e promotores, sempre chegava perto e no último minuto era cancelado. Há dois anos nós íamos tocar em um festival, mas aí foi cancelado.
E você sabe o que aconteceu? O festival chamava Masters Open Air.
Sério? Não, não sei. Nosso agente disse que não ia acontecer. Eu disse “merda”. Acho que o festival mudou de data. Nós estávamos confirmados para uma data e daí ele foi adiado para duas semanas depois, mas nessa data já estávamos com contrato assinado para o Wacken.
Mas o festival foi cancelado também. Ele nunca aconteceu.
Não? Ah, eu achei que ele só tinha sido adiado. A banda é sempre a última a saber.
Por que você grava várias músicas em alemão?
Eu sempre escrevo as músicas por instinto ou inspiração e às vezes sai em alemão. Eu tento traduzir para inglês, mas não tem a mesma mágica. Até os caras da banda falam que em alemão fica melhor. É algo diferente para pessoas que gostam de algo diferente.
Como você tocou em um festival, teve tempo limitado para tocar. Você já está planejando um retorno para fazer um show completo?
Sim, definitivamente. Espero voltar ano que vem e acho que vai acontecer. O show de ontem foi bom, então espero que o promotor nos pegue para uma turnê grande. Tenho um bom pressentimento.
Muitas pessoas consideram você a rainha do Metal, como aquele cara lá embaixo. O que você acha disso?
É super legal. Sempre que alguém diz algo positivo eu gosto. Gosto que minha música deixe as pessoas felizes. É a melhor coisa do mundo quando as pessoas vêem você e ficam empolgadas.
Você já começou o trabalho em um novo disco?
Não, ainda não. Até o final do ano estaremos em turnê e ano que vem vamos excursionar pelos EUA. Em novembro, o DVD sai. Acho que ano que vem farei isso, mas não sei quando. Não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo. Tem bandas que compõem em turnê, mas eu não consigo.
Nesse momento, a entrevista é interrompida por uma mensagem que chega no celular da Doro e, logo em seguida, uma batida na porta. Era um cara do hotel trazendo a comida da moça e a Anja pedindo para encerrarmos a entrevista. Quando ela fecha a porta, Doro volta a sentar onde estava, pedindo desculpas e dizendo que estava sem graça.
Bom, já que estamos sem tempo, queria que você deixasse uma mensagem para o público do DELFOS e, se você não se importa, gostaria de filmar para que os fãs possam baixar.
Claro. O que é para eu dizer?
Uma mensagem simples. Um beijo para os fãs. Não, peraí, alemães não beijam, então seria um abraço.
(rindo) Às vezes nós beijamos também.
Ok, pode falar.
Oi, caras, fãs e amigos. Estou aqui no Brasil. Sou a Doro Pesch. Eu amo aqui. É minha primeira vez aqui. O show de ontem foi ótimo. Espero voltar várias vezes. E eu quero dizer “oi” para todos os fãs do DELFOS. Keep it hard, stay heavy, rock on e vejo vocês em breve. Você pode baixar essa mensagem em vídeo clicando aqui – 1 Mb. Lembre-se de clicar com o botão direito e escolher “Salvar como...”. O arquivo toca no programa Windows Media Player.
Ok, muito obrigado pela entrevista. Vou guardar as perguntas que sobraram para a próxima vez.
Sim, eu vou tentar ter mais tempo na próxima.
Infelizmente não tivemos tempo de falar do seu filme, mas se você quiser, pode falar agora.
É meu primeiro filme e chama “Anuk: The Path of the Warrior”, foi filmado nas montanhas suíças, nós escrevemos a trilha sonora, que é, na verdade, a música Warrior Soul. Foi filmado em setembro e foi uma ótima experiência. Foi hardcore, realmente perigoso, mas foi ótimo. Ele estréia em novembro na Suíça.
Vai passar nos cinemas?
Sim, nos cinemas. Espero que em todos os países, mas se não sair em todos os países, você pode assistir depois em DVD. É uma aventura e eu sou a protagonista feminina, uma caçadora que vira guerreira. Meu nome no filme é Meha e o protagonista é Anuk. Ele se machuca, ela o encontra, daí eles lutam juntos no final. É um ótimo filme. É underground, mas tem muito sentimento.
É um musical?
Não, tem as músicas de fundo e eu cantando um pouco, mas é algo mais assustador, mais atmosférico. É muito legal. Eu acabei de assistí-lo pela primeira vez. Foi uma ótima experiência e pretendo fazer outros. O produtor Luke Gasser já disse que vamos fazer outras coisas juntos porque foi muito bom.
Como escreve o nome dele?
L-U-K-E...
Tipo Skywalker?
(ri por uns 10 segundos) Sim, mas é o nome real dele. O sobrenome é G-A-S-S-E-R.
Ok, obrigado pela entrevista.
Obrigado e desculpe pelo atraso e pelo pouco tempo.
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